terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sou o homem dos mil versos
das riminhas,
dos provérbios.
Sou moleque de palavras quebradas,
inventadas, foragidas...
corrompidas ao meu bel’prazer!
Sou o que tudo fala
e nada diz,
o que sempre está a procura...
Enfim, apenas mais um poeta ruim,
neste mundo que Platão pré-viu.
Sou um homem que não cresceu,
um velho, ainda novo,
um jovem cansado da vida.
– Sou um homem – como Fabiano,
de Graciliano.
Sou sem-graça! Sem-teto! Sem-jeito!
Afinal, sou o tal homem dos mil versos,
e quem encontrar algum que preste
neste universo de disparates,
que um dia me contrate,
ou me expulse da cidade.


João F. A. Cunha

3 comentários:

Olga disse...

Contratado! Sem dúvida, senhor poeta-menino-velho!

Laura Fuentes disse...

Com todo esse charme em brincar com palavras, sons, sonhos e imagens, poetinha, você está definitivamente contratado.

Maura`s 90 disse...

Genial esse poema!
Em especial, o cruzamento da idéia de um homem que não cresceu e um velho jovem...
É a mistura de muita esperança do porvir e um pouco de cansaço... pela descrença por tudo o que não veio.
Certo?
Bjs e parabéns pelo Blog.
Sempre que posso, acompanho à distância.